13/06/22

Semente ruim dá árvore ruim

"É de pequeno que se torce o pepino", dizia uma de minhas avós. Nunca entendi o lance do pepino torto, mas seu sentido é claro. Todo adulto começa a ser formado na infância e o que ele vive nesta fase influencia todo o resto. Nunca duvidei disso e tive sorte na minha.

Tive uma infância cercada de gibis e livros infantis, o que me tornou um leitor ávido e um acumulador de conhecimento. Não éramos ricos, por isso tive a sorte de "inventar" muitos brinquedos. Um dos meu favoritos era o submarino feito com embalagem de Q-Boa.

Outro era usar velas de carro como "canhões" em cima de um tanque de guerra também feito com aquela embalagem ou uma lata de óleo. Isso soltou minha imaginação, alimentou a criatividade e a capacidade de encontrar soluções onde não existe nenhuma aparente .

No século seguinte virei pai e consegui dar a minha filha uma educação de pré-escola fantástica na brinquedoteca Keka, de "tia Márcia", que preparou ela para a vida, ajudou a formar caráter, iniciativa, amor às artes e à leitura, criatividade e trabalho em grupo.

Junto com a escola Arco Íris, de "tia Suzane" e a Clave de Sol, de "tia Mariângela", Kira teve a melhor educação que alguém pode querer na minha cidade, Itabuna, tão boa quanto as melhores das capitais. Ela deu sorte. Podia ter acabado numa das escolas que deformam ao invés de formar.

Um estudo da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (FMCSV) em 1.800 escolas de 12 cidades, mostrou que ainda existem armadilhas na educação infantil. Foram 3.467 turmas, 1.683 de creche e 1.784 de pré-escola, em 1.807 escolas municipais. E o resultado preocupa.

Somente 10% das turmas dão às crianças acesso livre aos livros. Mais da metade delas não tem qualquer tipo de atividade de leitura ou contação de histórias. Os livros estão lá, mas é como se não existissem. São apenas enfeites na parede e ítens do orçamento.

Como uma criança pode se desenvolver sem ler? Como pode entrar no mundo da imaginação para vivenciar experiências, histórias, exemplos que preparam para a vida, conhecimento? Criança que não lê, não escreve ou escreve mal. E entende pior ainda.

Crescem para virar adultos incapazes de analisar uma situação a fundo, de entender as consequencias, por exemplo, da corrupção desenfreada do PT entre 2003 e 2016. Não sabem como identificar e evitar perigos. Não entendem o telejornal, não tem cultura.

O estudo mostra outro problema grave. Cerca de 67% das turmas não tinham nenhuma experiencia com a natureza. Nada. Crianças de zona urbana que nunca viram uma galinha ou um boi, nunca pisaram em lama e grama, nunca entraram num rio, comeram uma fruta no pé.

Em 27% das turmas as crianças também não tinham atividades com teatro, música ou dança. Aqui se mata a sensibilidade e o bom gosto. Música, teatro, dança, são fundamentais para o equilíbrio emocional e físico, ajudam na coordenação motora, tiram a inibição, ensinam qualidade.

O relatório do estudo lembra que "a educação infantil é uma das etapas mais importantes da educação justamente porque é quando se constroem alicerces para o desenvolvimento do ser humano, tanto em termos pedagógicos, cognitivos, quanto das relações emocionais e sociais".

A educação infantil é uma semente. Se for boa, dá árvore boa. Se for ruim, dá erva daninha. Ela devia ser federalizada para ter um padrão de qualidade, aliado à inclusão de temas e cultura próprios do município, para que seja completa.

Já passou da hora de deixar de lado a tara por universidades, que hoje se tornaram tão banais que um diploma não significa mais nada, não garante conhecimento nem competência. É hora de olhar para o início de tudo, para a educação infantil. E construir o futuro a partir dela.

Posted at 5:37 PM


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35 anos não são 35 minutos

No começo era o verbo. E o substantivo. E a ousadia de usar os adjetivos.

Há 35 anos, em 19 de abril de 1987, nascia um jornal disposto a revolucionar a maneira como a imprensa era feita no sul da Bahia. Nascia com conceito inédito de ser independente, de nunca receber dinheiro para mudar uma matéria ou disfarçar a realidade.

Um jornal com duas características únicas no interior da Bahia: a coragem de enfrentar gente poderosa em nome de uma população sem voz, e uma alma investigativa que causou inúmeros terremotos em terras grapiunas, derrubando mitos e rachando muralhas.

Era a primeira fase de quatro, como enxergo essa história incrível.

A primeira trouxe as inovações no formato, com um layout moderno e inovações como acabar com o lide e ligar os títulos diretamente ao texto, além de um espaço mais generoso para as fotos. No texto, a união da qualidade acadêmica de Hélio Pólvora com o isqueiro aceso do destemor de Manoel Leal.

As reportagens tinham uma qualidade de capital, embaladas por um time que tinha gente como Daniel Thame e Vilma Medina, mais o fotógrado Sabino Primitivo, além dos textos de Hélio, ex-editorialista do Jornal do Brasil. O jornal foi um sucesso imediato, influenciando o jornalismo dos outros veículos do sul da Bahia.

Nesta primeira fase, em dois meses o único concorrente de A Região era o forte A Tarde, de Salvador, em boa parte graças à sua sucursal de Itabuna e ao Caderno dos Municípios. AR ganhava na maioria dos públicos, mas perdia no de ensino superior e entre os mais velhos.

Isso mudou quando tentaram, inutilmente, transformar o A Tarde num jornal nacional, diminuindo a quase nada o espaço para assuntos do interior baiano, trocados pelos nacionais que inúmeras outras fontes já supriam. O sumiço de A Tarde no interior levou à segunda fase.

Nesta, A Região reinava tão sozinho que chegava a incomodar. Tinha mais leitores que todos os outros jornais somados, os daqui e os de fora. A falta de concorrência obrigava a equipe a se policiar para não cair na preguiça. Para o leitor, nada mudou. A Região chegava todo sábado para tremer o chão.

Foram os melhores anos do jornal, incluindo sua entrada na internet em 1996, segundo jornal do estado a ter um website, atrás apenas de A Tarde, por poucas semanas. Naquela época, o site trazia apenas as manchetes e os artigos assinados. Isso mudou na terceira fase.

Esta é que mais mudanças promoveu no jornal e a mais sofrida. Não estou falando aqui da perseguição dos políticos corruptos que AR denunciava, do bloqueio de anúncios de prefeituras e do estado ou da pressão para que empresas não anunciassem nele.

O sofrimento foi gestado numa matéria espetacular, revelando o pagamento de propina por parte do então prefeito, Fernando Gomes, ao delegado Gilson Prata, de Salvador, para perseguir integrantes do governo anterior, humilhando-os com prisões no meio da rua e exposição com algemas.

A matéria acabou com a chance de Prata ser o novo secretário de Segurança, cargo que estava garantido até então. Prejudicou imensamente os planos do prefeito, já muito estressado por anos de denúncias de A Região sobre sua gestão. A matéria saiu no meio de dezembro de 1996.

Um mês depois, no dia 14 de janeiro de 1997, o fundador e alma do jornal, Manoel Leal, era assassinado numa emboscada montada por três homens. Um deles era Monzar Brasil, policial da equipe de Prata que fora denunciado com ele pelo jornal.

Outro Marcone Sarmento, funcionário de Maria Alice Araújo, por sua vez braço direito e esquerdo do prefeito Fernando Gomes. Depois de muitos anos e uma luta gigantesca junto a entidades nacionais e internacionais, os dois foram condenados. Até hoje não se investigou quem foram os mandantes, apesar de óbvios.

O assassinato de meu pai levou o jornal para a terceira fase, a de sobreviver sem ele, sem sua alma. Muita gente me aconselhou a fechar, até para não arriscar minha vida. Sabotado pelos políticos, o jornal também não tinha como se sustentar sozinho, outra razão para encerrar sua história aos 10 anos.

Mas como fechar e dar aos mandantes a vitória final? Nem pensar. Eu e a equipe, Daniel Thame à frente, depois Luiz Conceição, passamos a fazer de tudo para manter o jornal vivo. Ele foi fundamental na luta para levar os assassinos a juri, para obrigar o estado a reconhecer sua responsabilidade.

Nesta fase, A Região criou inovações que só muito depois seriam adotadas por jornais ao redor do mundo, como o trabalho remoto, através da internet, entre repórteres, editores, diagramadores e impressores, que passamos a ter como padrão em 2000.

Outra inovação foi fazer textos de qualidade, porém mais objetivos, enxutos, em linguagem direta e curtos, acompanhando o que prevíamos que seria o padrão online, com leitores sem paciencia para textos longos e complexos, apressados pela tecnologia. Também aumentamos o tamanho das letras, visando os mais velhos.

Ainda pensando na internet e seu papel na história dos jornais, antecipamos em mais de 10 anos o que os outros fariam mais tarde, mantendo uma edição impressa com o resumo da semana e matérias mais analíticas, enquanto a versão online é atualizada diariamente.

Nesta fase conseguimos fazer história na Copa do Mundo no Brasil, publicando num jornal de interior as colunas dos maiores articulistas de futebol do país: Juca Kfoury, PVC e Tostão, além de matérias especiais sobre o torneio e os torcedores locais.

Conseguimos ainda uma das colunas de política nacional mais respeitadas e influentes, a do jornalista de Brasília Cláudio Humberto. Mais tarde, na fase seguinte, também trouxemos a de Carlos Brickmann, outra lenda viva do jornalismo brasileiro.

E veio a quarta e atual fase.

Como não poderia deixar de ser, perseguido financeiramente, aos poucos A Região teve que abrir mão de seus jornalistas, cortar despesas e enxugar os custos. Se por um lado A Região se tornou a maior referência de notícias do sul da Bahia na internet, por outro passou a ter dificuldades para sair impresso.

Tudo ficou pior com a "pandemia Dilma", causadora da maior recessão da história do Brasil, mas continuamos lutando. Quando as coisas começavam a melhorar, ao longo de 2019, chega a pandemia da Covid e as medidas absurdas tomadas pelo governador Rui Costa e os prefeitos.

Hoje, A Região continua fazendo o melhor jornalismo possível, talvez o único de forma independente, sem rabo preso com ninguém - apenas com o leitor. A edição impressa continua, mas não mantém mais a regularidade de sair todo sábado. Às vezes, temos que pular...

Na internet, A Região continua crescendo todos os dias, ganhando leitores fieis em mais de 50 países e todos os estados. É a principal referência de notícias do sul da Bahia mas, nos últimos anos, empurrado por seus leitores, ampliou o noticiário sobre o resto da Bahia e a cena nacional, aumentando seus leitores fora daqui.

O diferencial continua sendo a qualidade dos textos, a independência, o desprezo por press-releases de badalação sem conteúdo, a resiliência diante das dificuldades, a coragem para futucar feridas abertas, a defesa da população diante dos poderosos.

Na parte editorial, o diferencial é a Malha Fina, que continua jogando ácido em quem merece, com participação espírita de meu pai que, não tenho dúvida, inspira boa parte das notas. Algumas só podem ter vindo dele...

Posted at 5:24 PM


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25/03/22

Os russos não invadiram ninguém

Uma guerra não faz vítimas apenas de carne e osso. Ela também prejudica a cultura de um país e todos que se beneficiam dela no resto do mundo. É uma reação comum da população diante de uma agressão, mas ao mesmo tempo é uma reação burra e injusta, coisa de ignorantes.

Na segunda guerra mundial, os Estados Unidos montaram campos de concentração, onde prenderam todas as famílias de japoneses e alemães ou seus descendentes, gente que nada tinha a ver com o conflito e que se considerava mais americana que estrangeira.

Milhares de famílias foram presas como criminosos e passaram a viver em barracas, usando banheiro comunitário, comendo ração de baixa qualidade, passando frio e tendo cada passo vigiado por soldados que, muitas vezes, cometeram abusos contra idosos, mulheres e crianças.

Parece que o mundo não aprendeu nada.

Agora, com a invasão da Ucrânia, grupos em vários países pregam o boicote não a Putin, mas à cultura russa. Nada mais imbecil e injusto. Já cancelaram palestras sobre o escritor Fiódor Dostoiévski, como se ele tivesse culpa das loucuras do Putinho. Logo ele, que foi preso durante outra ditadura disfarçada, de Nicolkau I.

Existem campanhas para banir o strogonoff dos cardápios de restaurantes, a vodka e o caviar dos supermercados. Mestres da música clássica e do ballet, os russos hoje vêem o ocidente rejeitando sua música e sua dança como se fossem criadas pelo Putin em pessoa.

Povo hospitaleiro, que adora agradar o visitante, os russos foram fundamentais para derrotar Adolf Hitler na segunda guerra, acabando com seu exército na fronteira. Mas hoje existem russos recebendo mensagens de que "deviam ter morrido na segunda guerra".

Foi o caso do advogado Danilo Kozemekin, brasileiro neto de russos. Danilo contou à Agência Brasil que foram deixadas mensagens em sua caixa postal com referências nazistas. “Diziam que nós merecíamos ter morrido na segunda guerra mundial”. Não é só injustiça, mas ingratidão pelo papel da Russia na guerra.

Depois da segunda guerra, os americanos fizeram uma lavagem cerebral no resto do mundo, aproveitando sua supremacia na cultura (filmes, tv, livros) para pintar a Russia como o lado mau, o bandido, sempre disposto a destruir o mundo, quando na verdade ajudaram a salvá-lo de Hitler.

Se voce não sabe, aqui vão algumas características do povo russo. Adoram receber visitas, quando visitam sempre levam um agrado, acreditam em superstições, apreciam as amizades, gostam de conversar, contam muitas piadas, valorizam as mulheres e são cavalheiros sempre. Como eu e voce.

Entenda que o strogonoff, a vodka, as tenistas, os jogadores, os atletas, os escritores, os músicos, os dançarinos, o povo da Russia, não invadiram ninguém, não atacaram ninguém. A maioria do povo Russo é contra qualquer tipo de guerra, porque é sempre ele que sofre as consequências.

Os russos que vivem no Brasil são gente boa, honesta, amiga, nunca agrediram ninguém. A cultura russa é rica e pacífica. Quem está invadindo a Ucrânia e matando pessoas é Putin. Nem mesmo os soldados podem ser culpados, porque a pena para a desobediência por lá é a prisão perpétua ou a prisão. Dele e sua família.

Se quiser culpar alguém, rejeitar alguém, odiar alguém, boicotar alguém, que seja Putin. Os russos não merecem este tratamento e, se voce acha que sim, não é melhor do que o próprio Putin.

Este tipo de injustiça me cansa. Hoje vou comer strogonoff para marcar posição.

Posted at 8:09 PM


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24/12/21

Uma lembrança de Natal

A casa, na Vila Maria, bairro classe média de São Paulo, estava cheia de crianças correndo de um lado para o outro, excitadas com a data.

Na cozinha, de onde exalava um cheiro forte de peru assado, um grupo de mulheres conversava animadamente, sobre filhos e netos.

Na sala, os homens falavam de futebol, política e economia, em meio a muitas piadas e histórias engraçadas dos amigos.

O destaque era uma árvore de Natal super decorada e cheia de presentes em baixo, das tias (meias e cuecas), das avós (roupa) e pais (brinquedos).

No quintal, a criançada se divertia em brincadeiras de pique e esconde-esconde, ou jogava bocha no campo feito por meu avô ao lado do pomar.

Eram uns 15 primos, mais as tias, avós, pais e os amigos que apareciam para bater um papo antes de ir para casa.

A casa, de minha avó, tinha decoração de Natal por toda parte, mas o lugar favorito da criançada era o quintal, com pés de jabuticaba e manga.

Era assim o Natal de minha família, comandado por minha sempre sorridente “vó Nêna”, na minha infância.

A mesa, fartíssima, tinha o tradicional peru, mas também exibia presunto defumado, pães de vários tipos, bolos variados, massa feita por ela mesma, passas, nozes, castanhas, um delicioso panetone caseiro.

A bebida dos mais velhos era vinho, de qualidade, que era guardado numa cristaleira bem antiga, e muita cerveja. A nossa, suco e tubaína.

As brincadeiras acabavam por volta das 20h, quando todos partiam para a comilança, em uma mesa enorme, onde cabia quase todo mundo.

Depois era a espera pela meia noite, quando os adultos iam assistir a Missa do Galo e as crianças se jogariam sobre os presentes que, enfim, podiam ser abertos e curtidos.

Com 15 primos e muitas tias, imagine a montanha de pacotes sob a árvore.

Os brinquedos entravam em ação imediatamente. Já as roupas eram ignoradas, depois de um “obrigado” meio amarelo a quem deu...

Uma coisa bacana era que muitos vinham de longe para esta reunião anual.

Além da gente, que ia da Bahia, tinha a família de meu tio Heitor, vinda de Santos e de meu tio Nine, que morou em vários estados.

Era festa de reencontro.

O Natal foi assim até a gente perder a âncora da festa, minha avó Nêna.

Depois disso, a vida foi seguindo seu ritmo, mudando o Natal de várias das famílias. As de São Paulo ainda se reúnem, mas nem sempre estão todos por lá, como eu mesmo.

Mas as lembranças do Natal de minha infância nunca se apagam e ainda me divirto lembrando delas.

É aquele tipo de boa lembrança que traz um sorriso leve ao rosto e um conforto gostoso que se espalha.

A Vila Maria mudou, vários tios e meus avós já foram para a próxima vida. Os primos moram longe.

Mas aquelas festas de Natal, lembradas a cada ano, me dão a certeza de que o Natal nunca foi brinquedo e comida, mas sentimento e amizade.

Ficam as lembranças de gente que ajudou a moldar o que sou hoje, pelo exemplo. Me olhando no espelho da vida, vejo que carrego um pouco da personalidade de cada um deles.

Como meu avô Walter, um fantástico contador de histórias que prendia nossa atenção por horas a fio.

A alegria quase infantil e o otimismo sem limites de meu tio Zezé, que vivia comendo e nos dando balas de amendoim.

A ousadia e garra de meu tio Nine, que tinha a alma e a coragem de um desbravador.

As lições de meu tio Tinho, que soube viver bem, se divertindo e ensinando, na escola e na vida.

A lucidez de minha avó Zilda, que conversava sobre os assuntos atuais com sabedoria e era uma cozinheira incrível.

A alegria sorridente de minha vó Nêna, carinhosa e outra fantástica cozinheira.

Meu pai, que me ensinou jornalismo e caráter, além do valor de ser independente.

São parentes queridos que comemoram o Natal em outra dimensão, outra vida.

Para eles, meu obrigado perene, pelos ensinamentos, pelo amor, por tudo.

Não lembro deles só no Natal, nem com tristeza.

Todos nascemos com prazo de validade nesta vida e passagem garantida para a próxima. Seria egoismo querer todos aqui para sempre.

Para mim, todos estão comigo no dia a dia, porque sempre lembro de uma ou outra coisa que disseram, exemplos que me deram.

Meu Natal é completo, porque une o que já foram e os que estão. Em comum, minha gratidão e meu amor por todos eles.

Uma observação: ia escrever um texto sobre o Natal, mas lembrei deste, que escrevi há uns 10 anos e que expressa meu sentimento perfeitamente. Não fazia sentido escrever um novo.

Posted at 6:10 PM


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19/11/21

A escola de Hitler venceu

Governos de vários países aproveitam a pandemia para aumentar o controle sobre a população e alguns estão criando o sub-cidadão, o que optou por não tomar uma vacina sobre a qual nada se sabe dos efeitos a longo prazo. O sub-cidadão terá menos direitos que os outros, apesar das garantias dadas pela Constituição de cada país, ignorada.

Não é a primeira vez na história. Basta lembrar Hitler e a identificação dos judeus, ciganos e negros como cidadãos sem os mesmos direitos dos brancos. Ou o apartheid da África do Sul, onde negros tinham menos direitos. Ou a segregação nos Estados Unidos até os anos 60. A Índia ainda tem cultura de castas, onde mesmo o contato entre elas é proibido.

Mas esta é a primeira vez em que países tidos como democráticos e igualitários usam a segregação como instrumento de controle social, algo impensável e, para mim, inaceitável. Mesmo que houvesse garantia de que as vacinas não terão nenhum efeito ruim daqui a cinco, seis anos, segregar os não vacinados é uma forma de ditadura.

Sem contar que a maioria vacinada não corre nenhum risco de ser infectada pela não vacinada, um ponto óbvio mas sempre deixado de lado na comunicação dos governos que querem controlar os eleitores.

Me incomoda ver pessoas que se dizem contra o racismo, a homofobia, a xenofobia, todas elas maneiras de segregar os diferentes, apoiar os governos que agora querem separar vacinados de não vacinados, tornando o segundo grupo uma espécie de pária social, impedido de comer num restaurante, entrar num cinema ou num escritório.

No Brasil a coisa já caminha para uma situação só vivida antes em ditaduras, com a negação do direito à Justiça. Vários tribunais, inclusive trabalhistas, estão proibindo a entrada de pessoas não vacinadas nos foruns, mesmo para audiẽncias em que são parte. Significa que perderão as causas por "não comparecimento" compulsório.

A censura prévia, outra característica das ditaduras, abolida no Brasil pela Constituição de 88, voltou a pleno vapor. Ministros do STF proíbem qualquer pessoa de defender a liberdade de escolher se adota ou não um procedimento médico, se toma ou não um remédio ou vacina. Direito garantido pela Constituição.

Quem questiona a falta de segurança futura das vacinas ou mesmo sua eficácia (só "comprovada" pelos próprios laboratórios que as produzem) é proibido de se expressar. Sua opinião só é livre se for igual à dos que mandam. Sua liberdade de expressão só existe se concordar com o que os detentores do poder querem (hoje, o STF).

Se tem perfil em redes sociais, ele é cassado. Se dá entrevistas, fica proibido de fazer isso. Se insiste, é preso sem processo, sem julgamento, sem condenação. Não é apenas no Brasil, mas aqui é mais escadaloso porque a grande mídia, que tem o dever de informar, acata a censura "dos outros" e não denuncia os abusos por militância política.

Deviam ler A Revolução dos Bichos, de George Orwell, para entender que, se hoje a censura e a segregação é contra um grupo, amanhã poderá ser contra outro. Se os governos impõem a vacina como condição de ter os direitos que deveriam ser de todos, no futuro outras exigências serão feitas, porque a porteira foi aberta.

O resultado, a médio prazo, pode ser a "chineização" do Brasil, com cada passo do cidadão monitorado por um aplicativo de uso obrigatório para ter plenos direitos. Se não usar o app 24h por dia, voce será impedido de viajar, de entrar em restaurantes, de ter acesso a um forum. Isso é realidade na China, através de um sistema de pontuação.

Pisou na grama? Perdeu um ponto. Atravessou fora da faixa, perdeu outro. Vai viajar? Depende de quantos pontos negativos voce acumulou. Hoje, o brasileiro terá que usar o comprovante virtual da vacina para ter direitos. Amanhã pode ser um aplicativo como o chinês e outras exigências.

Caso não tenha percebido, o ponto central não é a vacina, muito menos a "segurança da saúde coletiva", e sim a perda de direitos. Nossa Constituição, já pesadamente pisoteada, todos os dias, pelo STF, não vai sobreviver com a carga extra dos governos estaduais eliminando os direitos que deveriam ser protegidos por ela.

Mesmo vacinado, cada cidadão deveria se rebelar contra o "passaporte da vacina" ou restrições para quem não está vacinado. Porque se hoje ele é o cidadão de segunda classe, amanhã poderá ser voce.

Posted at 9:36 PM


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24/09/21

30 anos que são mais de 30

Um acontecimento desta semana provocou uma reflexão que quero dividir com voce. No dia 21 a Morena FM completou 30 anos 100% digital, nas músicas e comerciais. Foi a primeira do Brasil e da América Latina. Demorou dois anos para outra no Brasil igualar o feito, a Manchete FM de São Paulo.

Pensando nesses 30 anos percebi que a velocidade com que novas tecnologias foram adotadas e descartadas nesse período é muito maior do que a dos 30 anos anteriores. Por exemplo: o LP e a fita cassette atravessaram de 1960 a 1990 sem ser ameaçados por nenhuma novidade.

De repente, nos próximos 30, foram substituídos pelo CD, que por sua vez se tornou logo obsoleto pelos arquivos de áudio digital. As fitas VHS, que reinavam até o meio dos anos 90, foram enterradas pelo DVD que, um pouco depois, já era substitúído pelos arquivos.

A tv aberta fazia a festa até o meio dos 90. Começou a perder espaço com as tevês por assinatura e, em pouco tempo, ambas iam sendo substituídas por portais de streaming como Netflix e Amazon Prime. Os jornais viram seu público migrar para a edição digital, tornando a impressa quase obsoleta.

No meio desses 30 anos de revolução, surgiu o celular, que substituiu tanta ferramenta que é até difícil lembrar. Ele dispensou o uso de relógio de pulso, despertador, câmera fotográfica, filmadora, lanterna, mapas rodoviários, guia de ruas, rádio portátil, tocador de mp3, previsão do tempo, gravador.

Ele dispensou a ida ao banco para saber o saldo e pagar contas, a restaurantes para comer, calculadora, agenda, o calendário, videogame portátil, os livros de viagem com frases traduzidas, a bússola, o album de fotos, os velhos orelhões, os detectores de radar, o scanner... a lista é imensa.

O avanço da tecnologia afetou meu setor, o de comunicação, mas o rádio só ganhou com isso. Aliás, foi o meio que soube se adaptar e tirar vantagem, ao contrário da tv, que até hoje não sabe o que fazer. Considere a parte do estúdio. Antes, usávamos LPs e cassettes que precisavam de muita manutenção e cuidado.

A Morena FM passou a ter CDs e um Digicart II, usado para produzir e tocar comerciais no lugar dos cassettes. Hoje isso também passou. Usamos arquivos digitais num programa de computador com inteligência artificial, editamos comerciais facilmente no PC e recebemos os lançamentos via internet

Do lado externo, até 1998 toda rádio tinha como ouvintes apenas quem morava ou estava passando pela sua cidade e as próximas. Hoje a Morena FM é ouvida do Canada à China, passando por todo o Brasil e o resto do mundo. Não existem mais fronteiras.

A diferença entre esses 30 anos e os 30 anteriores me fez pensar nos próximos 30. Pelo menos em relação ao rádio.

Considere o seguinte: hoje, enquanto o ouvinte do Brasil ouve o programa A La Carte na hora do almoço, o de Los Angeles ouve às 6h, o de Londres às 15h, o da Russia às 18h, o do Japão, à meia noite.

Eles ouvem a rádio ao mesmo tempo, mas cada um está num momento diferente do dia. Então, como montar uma programação que se adeque a todos eles não importa qual o horário local? Difícil.

A opção é criar pedaços da programação com mais foco em quem está no horário de maior audiência do rádio (manhã e tarde). Por exemplo, em Los Angeles os ritmos preferidos são rock e latino. No período em que eles estão entre 6h e 19h no horário de lá tenho que incluir conteúdo para aquele mercado.

Estou no meio de uma experiência prática buscando uma solução, usando um canal alternativo de streaming, no site próprio morenafmrio.com ou Morena FM/Rio. Pesquisei os ritmos mais ouvidos em cada país e montei uma programação levando em conta cada fuso horário.

Está no início, mas já existem diferenças grandes entre os ouvintes da Morena FM online e da Morena FM /Rio. Na primeira, ouvintes do Canada, Brasil e EUA são maioria. Na segunda, é maior a presença do pessoal da Europa e da Russia, por exemplo.

Posted at 9:23 PM


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09/08/21

Uma geração danificada

Vacinar jovens abaixo de 20 anos não é recomendado pela OMS nem pelas associações de pediatria. As vacinas tem causado problemas cardíacos neste público e somente 1% deles foi infectado em um ano e meio. Tirando raras exceções com comorbidades, nenhum teve sintomas graves e 98% foram assintomáticos.

Porém, existe uma boa razão para vacinar esse pessoal: o psicológico abalado pelas medidas contra a pandemia e o terror criado em torno da doença, chegando a dizer que um estudante poderia infectar e matar seus pais e avós, afirmação absurda repetida à exaustão por "especialistas" no início da pandemia.

A vacina vai dar um pouco de tranquilidade a esta geração.

Uma geração extremamemte afetada por perder a fase da vida em que a pessoa socializa mais, vai a festas, curte os aniversários dos amigos, brinca, pratica esportes e dança, circula nas praias e nos shoppings, namora, beija, abraça, experimenta, encontra antigos e novos amigos na escola e na faculdade, monta sua tribo, viaja, enfim... vive.

Tudo isso foi tirado desta geração, hoje entre 10 e 20 anos, e nunca será reposto. É uma parcela da sociedade que não teve infância nem adolescência e os efeitos disso serão enormes na sua formação adulta. Uns serão mais carentes por falta de contato físico nesta pandemia, outros se tornarão frios e distantes pelo mesmo motivo.

O namoro, momento essencial na vida de qualquer jovem, lhes foi negado e, nos próximos anos, eles ainda vão pensar duas vezes na hora de dar um beijo na boca ou ficar agarradinhos. Além disso, o terror imposto por uma midia exagerada e sem noção do que fazia fragilizou este público.

A falta de exercício e atividades físicas vai gerar um pessoal sedentário e mais obeso. A ausência de brincadeiras e experimentação afetará sua personalidade e a capacidade criativa. O excesso de tempo gasto em telas, como celular e tablets, já está causando um aumento de doenças oculares, em especial a miopia.

Mas o pior é o peso da responsabilidade de "infectar a família" se saísse à rua, demais para alguém tão jovem, obrigado a pensar na morte numa fase em que nos achamos imortais. O medo de perder os pais, comum apenas em famílias de policiais, bombeiros ou de quem tem profissões perigosas, se tornou geral e opressor.

Os jovens se tornaram os "fiscais" das medidas em casa, exagerando no uso do alcool gel, entrando em pânico se uma sacola chegou da rua sem ser higienizada. Uma preocupação quase paranóica gerada por aquela enorme responsabilidade jogada em suas costas.

Observo os efeitos da pandemia em minha filha, seus colegas e nos filhos de amigos meus. Fico triste por tudo o que eu vivi e ela não viveu nesta fase da vida, por toda a felicidade que tive e que foi sonegada a ela numa época essencial de nossa existência. Sobra torcer para que os jovens superem isso. Mas não será fácil.

Posted at 12:19 PM


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03/08/21

Itabuna pode renascer

 

Sou do tempo da Itabuna rica e não tenho medo de revelar minha idade com isso, porque fui um privilegiado.

Eu vi e vivi a Itabuna dos sonhos, onde dinheiro brotava nas ruas e dava em árvores, de cacau. Crescer em Itabuna nas décadas de 70 e 80 era crescer numa bolha de paraíso.

A cidade era tão rica que as fábricas de automóveis e motos, quando lançavam um novo modelo, mandavam o primeiro lote para Itabuna. José Soares Pinheiro, um visionário esquecido pela população, foi 8 anos seguidos a Seattle receber o prêmio de maior vendedor da Ford no Brasil.

Nas ruas, só existiam carros zero quilômetro, dos particulares aos táxis. O ensino público era melhor que o particular, preferido apenas por status. Eu posso afirmar, porque estudei nos dois sistemas. O comércio local dava inveja aos lojistas de Salvador.

Fazendeiros de cacau compravam sem perguntar o preço e ostentavam em tudo, das roupas e eletrônicos comprados no exterior a jóias e whisky 12 anos em abundância. Itabuna tinha cinco boates de luxo, seis clubes sociais super movimentados, sete cinemas e várias "zonas".

A juventude se dividia entre as praias de Ilhéus (as de Cururupe, Milionários e da Batuba), os clubes e a Beira Rio, onde todo domingo era de estacionamento cheio de gente batendo papo, namorando, dando cavalos de pau com os carros, se divertindo. De noite, bares e boates com nível de capital e até um boliche.

Não faltavam shows com atrações nacionais de peso. Ter avião particular estacionado no aeroporto local não era uma novidade. Festas de arromba da "high society" também não. Itabuna vivia uma cena cultural intensa, dinâmica, cheia de artistas talentosos e eventos.

A vida era assim, farta, divertida, tranquila, moderna, até o fim dos anos 80. A partir daí, a vassoura de bruxa que assolou o cacau e os péssimos prefeitos que destruíram a alma de Itabuna fizeram a cidade entrar em decadência.

Não tinha mais cinema. Ficou sem um por 10 anos, até a chegada do Shopping Jequitibá, um grande marco da retomada econômica de Itabuna. Não tinha mais boates, nem clubes.

Quem tinha um avião particular vendeu ou teve tomado pelo banco. Os ricos de antes passaram a viver mais do nome que da carteira. Até o esporte, que tinha eventos todo mês, parou de vez.

Os carros envelheceram, o comércio viu lojas históricas fecharem suas portas, das Pernambucanas à Doll Modas, de Os Gonçalves às Lojas Ipê, da Makro à Lorva. Acabaram as festas. A cultura até se manteve por um tempo, mas capitulou a partir de 2010.

Não estou escrevendo isso por saudosismo nem para lamentar. O que passou não tem como voltar.

Escrevo para lembrar que Itabuna já foi grande, poderosa e boa de se viver. Se já foi, pode voltar a ser. Depende de cada pessoa cobrar das autoridades uma gestão decente.

Nos últimos 10 anos, Itabuna atraiu lojas premium para o shopping, atacados de grande porte (sim, eu sei que estão no território de Ilhéus, mas visam mesmo Itabuna).

Ela tem uma excelente cobertura de mídia, telefonia e internet; um comércio ainda forte, completo e diversificado; um povo que gosta de comprar e se divertir. E trabalha muito.

A cidade tem potencial para voltar a ser a meca baiana que foi no século passado.

Eu, sinceramente, já estava desistindo de Itabuna, mas o início da gestão de Augusto Castro me anima.

A equipe tem nomes de qualidade e vem fazendo um árduo trabalho para recuperar a estrutura e os serviços.

Destaco a reforma dos acessos da cidade, o projeto de urbanização da Av. Manoel Chaves e da duplicação da saída para Ilhéus. Gosto das ideias de Almir Melo Jr, do arrojo de Guinho no esporte. Aplaudo a reabertura das piscinas do Ciso e a volta da hidroginástica.

Muita coisa ainda tem que ser feita para melhorar o centro, dar dignidade aos bairros, resgatar a cultura, oferecer boas e novas opções de lazer, criar um ambiente que atraia mais investimentos.

Mas estou animado.

Posted at 6:14 PM


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18/06/21

O texto que voce não quer ler

Quando as pessoas passam por uma situação assustadora como a atual epidemia da Covid, elas tendem a apostar em qualquer coisa que prometa afastar o perigo. Pode ser uma vacina. Pode ser um tratamento. A pessoa quer acreditar nisso, a um nível emocional, longe das amarras racionais.

Por isso, este é um texto que voce não quer ler. Ele vai confrontar as coisas em que voce passou a acreditar por medo do escuro. Vai deixar voce apreensivo e ansioso. Porque as verdades que estão te dizendo há meses, 24 horas por dia, podem não ser tão verdade assim.

Antes de mais nada, aviso que não sou contra vacinas (tomei todas que precisava na vida), nem contra o tratamento de doenças, de preferência no início dos sintomas. Mas sou racional, cauteloso e muito consciente do meu corpo. E sou contra ser usado como cobaia.

Todas as autoridades e a mídia vivem repetindo que as vacinas contra a Covid são "100% seguras", o que é uma mentira. Nenhuma vacina, nenhum medicamento, é 100% seguro. Com sorte são uns 70% - nos estudados e usados há muito tempo.

No caso das atuais vacinas, é impossível acreditar que os laboratórios diminuiram de 10 anos para seis meses o tempo necessário para fabricar uma vacina segura. Existem os argumentos, claro, e voce quer acreditar neles. Como o de que "por causa da urgência, todos trabalharam mais rápido".

É como dizer que é possível fabricar uma Ferrari com peças de Fusca se voce "trabalhar com urgência". Outro argumento é o de que tinha mais gente buscando uma solução. Se isso resolvesse, a cura do câncer e do Alzheimer já estaria nas farmácias há décadas. Não, ninguém tem como saber se essas vacinas são seguras.

Ninguém sabe que efeitos vão aparecer daqui a 10, 20 anos, como a Talidomida. Quando ela apareceu, passou em todos os testes, foi considerada "100% segura" e prescrita para grávidas no mundo inteiro. Cinco anos depois começaram a nascer bebês deformados, que viviam pouco, e em 1962 eles já eram 10 mil.

Apesar do cerco formado em torno das informações, para deixar passar apenas as que as autoridades querem (vide a censura prévia no Facebook e Twitter de tudo o que desmente essas informações), muitos pesquisadores, médicos, cientistas e vítimas conseguem furar o cerco.

Um deles foi a lenda da música Eric Clapton, que deu entrevista e postou depoimento no YouTube contando que está sofrendo com graves efeitos depois de tomar a vacina contra a Covid. "Ela bagunçou meu sistema imunológico, trouxe dores, febre e tremedeiras que não passam". Veja em https://youtu.be/4OHmMKrVbNk

Ele tem dado entrevistas com seu testemunho de algo que deveria ser óbvio, mas as pessoas preferiram ignorar: as vacinas são experimentais, não existe estudo a longo prazo para saber seus efeitos no organismo. A Itália baniu a vacina AstraZeneca para quem tem menos de 60 anos por causa dos efeitos nos jovens.

As vacinas tem causado trombose e coágulos, principalmente nas pessoas acima de 60 anos. Também fez explodir os casos de miocardite em homens jovens vacinados, numa taxa 25 vezes maior que a normal. 1.143 pessoas já morreram por efeitos causados pela vacina apenas na Inglaterra.

Nos Estados Unidos a estimativa é bem pior, pela maior quantidade de pessoas vacinadas. Cerca de 25.800 teriam morrido por efeitos da vacina e 1 milhão desenvolveram problemas graves de saúde depois de tomar uma ou duas doses. A autoridade de lá registra 82% mais perda de bebês por grávidas vacinadas que não vacinadas.

O jogador Arturo Vidal foi internado com amidalite aguda depois da vacina. Uma mulher na França teve a confirmação médica de que sua cegueira foi causada pela vacina. Um tuíte da Pfizer sobre o estudo de seu produto relata 8 crianças mortas e 10 com a saúde gravemente prejudicada.

Um relatório da autoridade de Saúde da Inglaterra, de 2 de junho, mostra 864 mortes e 717.250 pessoas debilitadas pelos efeitos colaterais da vacina AstraZeneca, 4 mortes e 9.243 efeitos adversos da Moderna, 406 mortes e 183.768 pacientes debilitados pela Pfizer. O país não aprovou a Coronavac.

Médicos ao redor do mundo estão alertando para não vacinar os jovens com imunizantes ainda experimentais. O risco de contágio e morte por Covid neste público é minúsculo, imensamente menor que o de ter miocardite, trombose, coágulo ou outro efeito grave derivado da vacina, incluindo a morte.

Aqui no sul da Bahia já existem pelo menos dois casos de trombose, os dois em Ferradas, bairro de Itabuna. Um deles tomou a primeira dose da AstraZeneca e está apavorado em tomar a segunda. Os dois estão com os braços tão inchados que podem resultar em amputação.

Já existem indícios e provas suficientes para derrubar a noção de que as vacinas são seguras. Mas ainda existe a dúvida sobre sua eficácia. Novamente, elas foram desenvolvidas em menos de um décimo do tempo, para combater um virus do qual pouco se sabe até hoje.

Alguns pesquisadores apontam que a própria diminuição de casos e mortes no grupo já vacinado pode estar ligada mais ao efeito das mudanças climáticas das estações do ano sobre o virus que à vacina em si. Por enquanto é só uma hipótese, mas os gráficos mostram picos semelhantes nos mesmos meses do ano, entre 2020 e 2021.

Aqui no Brasil, os piores meses de 2020 foram abril, maio e junho. Neste ano, a mesma coisa. Não é conclusivo, só uma hipótese que pode se confirmar caso haja diminuição a partir do final de agosto. Mas sempre haverá a dúvida se foi a vacina ou a mudança no clima.

Um relatório da MHR, a agência de Saúde inglesa, diz textualmente que "a imunidade da população não é atingida pela vacinação sem o aparecimento de novas infecções. O resurgimento de hospitalizações e mortes é dominado pelo grupo que recebeu duas doses da vacina, entre 60% e 70% dos casos".

Relatório da variante Delta na Inglaterra diz, em resumo, que o número de mortos por esta variante entre pessoas já vacinadas é 6 vezes maior que nas pessoas não vacinadas. Uma hipótese é que a explosão de certas proteínas, gerada pela vacina, deixa o sistema mais vulnerável em caso de infecção.

O problema, como afirmou Eric Clapton em sua entrevista, é que os jovens parecem ter passado por uma lavagem cerebral em relação à necessidade da vacina. "Vejo isso em meus netos". Sei que vou levar pedradas de muita gente, mas não ficarei chateado. Faz parte da condição humana.

O medo faz a pessoa acreditar em qualquer coisa que dê esperança e combater todos que falem o contrário. É como o marido traído que se recusa em acreditar na traição. A diferença é que ninguém morre.

Posted at 10:39 PM


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11/06/21

Consertando o STF na marra

Se tem uma coisa que devia ser prioridade na reforma administrativa é a forma de composição dos tribunais de Justiça dos estados, STJ, STF e TST. Hoje, são ocupados por pessoas indicadas por políticos, escravas de suas ideologias.

O problema piorou consideravelmente depois que as sessões passaram a ser transmitidas pela tv. A partir daí, a vaidade falou mais forte que a decência. Os votos, antes curtos, passaram a ser lidos por horas a fio. As frases de efeito viraram lugar comum nas decisões.

Fora da Corte, os ministros passaram a dar opinião em entrevistas, adiantando como julgariam os casos, algo impensável para um juiz. Nos julgamentos, nenhum se considera impedido para julgar uma ação na qual já têm opinião formada antes de ver os autos. É preciso mudar.

Para começo de conversa, as vagas de desembargador deveriam ser ocupadas somente por juízes, pessoas com experiência em julgar, eleitos diretamente por seus pares em cada estado. Promotores e advogados estão acostumados ao viés de sua função, atacar ou defender.

Não estão acostumados a julgar sem tomar partido, nem passaram anos analisando prós e contras de cada questão. Eles só lidam com um lado do processo. Basta olhar Toffoli, advogado que nunca conseguiu passar em concurso para juiz, ou Alexandre de Moraes, ex-promotor.

Assim como os TJs dos estados, STJ e STF deveriam ser ocupados somente por desembargadores e eleitos por todos do país, em eleição direta. Seria uma sequência lógica na carreira de um juiz. A eleição direta impediria a influência política de quem nomeou sobre o nomeado.

Mas só isso não basta, porque existe o problema da eternidade.

Um desembargador e um ministro de tribunal superior têm cargo vitalício e são praticamente inimputáveis, dada a dificuldade em julgar - e mais ainda em condenar - qualquer um deles. Acabam se sentindo deuses num Olimpo, que não podem nem devem ser contrariados.

É da natureza humana se tornar arrogante por excesso de poder. Acontece com alguns bilionários e é comum em desembargadores e ministros. Hoje em dia não podem sequer ser criticados, sob pena de processo e cadeia, sem processo legal, como aconteceu com o jornalista Oswaldo Eustáquio.

A embriaguês pelo poder é tão grande que o STF vem mudando a Constituição sem passar pelo Congresso, único poder com essa prerrogativa. Por outro lado, o Congresso não tem coragem de demitir um ministro por medo de represália em ações que deputados e senadores respondem na Corte.

Uma maneira de mitigar este excesso de poder seria o mandato limitado. Ministros e desembargadores deveriam ter mandato definido, de 5 anos, com possibilidade de reeleição por mais 5 anos. E só. Depois seriam aposentados compulsoriamente.

Para completar a reforma, um desembargador ou ministro poderia ter seu mandato cassado por seus pares, por dois terços dos votos. A denúncia seria admitida caso fosse assinada por um quarto dos desembargadores ou juízes do colégio eleitoral.

Hoje a situação é tão absurda que, se o Congresso aprovar as mudanças que proponho aqui, o STF pode simplesmente derrubar a lei e manter tudo como está. Um indício foi a reação do ministro Fux sobre o Congresso aprovar a urna eletrônica com voto auditável.

O TSE teria que obedecer a nova lei, mas Fux, que hoje preside o tribunal, afirmou que "pode pensar" em acatar a mudança, caso o STF "valide" a lei. O STF não tem poder de validar ou não decisões dos outros poderes, que são independentes. Mas se considera acima.

Este é o tamanho do problema.

Posted at 9:01 PM


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06/03/21

Números não mentem. Nem com Covid

Amigos e seguidores do governador da Bahia, Rui Costa (PT), me atacam porque questiono a ladainha exigindo mais vacinas, como se o estado tivesse uma excelência em vacinar, como se estivesse vacinando mais rápido do que chegam vacinas. É um discurso politiqueiro, sem base na realidade.

Desde que recebeu o primeiro lote, a Bahia não conseguiu usar nem metade das vacinas. Quando chega perto disso, vem um novo lote do Ministério da Saúde e a percentagem volta para menos de 50%. Não é culpa do governador, já que a vacinação é municipal. Mas o discurso cínico é.

Sim, a entrega de vacinas é do Governo Federal, a distribuição é do estadual, mas a vacinação é municipal. No momento (5 de março), nosso ritmo é de 14.069 aplicações por dia. Assim, levaríamos 2.084 dias para aplicar as 29.324.653 doses que faltam (incluindo a segunda). São mais de 5 anos. Acabaria em 2026.

As cidades precisam acelerar para 97.748 imunizações por dia para dar as duas doses até o final de 2021. Por sua vez, o Governo Federal tem que entregar 2.932.440 doses por mês à Bahia. Não é achismo nem opinião. São os números. Mas a quantidade de vacinas recebidas por mês é só um lado da questão.

O detalhe é que os municípios, onde a vacinação realmente acontece, estão num ritmo lento demais. Um dos problemas é que o contingente de médicos, enfermeiras e técnicos que estão aplicando a vacina é o mesmo que existia antes da pandemia e que precisa dar conta de todas as outras demandas da Saúde.

O governador recebeu R$ 62 bilhões, com "b", do Governo Federal desde o início da pandemia para combater o virus. Devia ter comprado testes rápidos para fazer testagem em massa e isolar os infectados. Não comprou. Só testou 5,5% da população. Devia ter contratado profissionais de Saúde suficientes. Não contratou.

Imaginando que cada aplicador leve 5 minutos para vacinar e trabalhe 8 horas por dia, em um dia vacina 96 pessoas. Logo, precisamos de 1.018 aplicadores no estado, mais o pessoal para tirar a folga deles, se quisermos atingir aquela meta de 97.748 aplicações por dia.

Se o estado tiver esses 1.018 aplicadores, mais a turma do revezamento, teria que receber, toda semana, 734 mil vacinas, número que só deve virar realidade a partir de abril. Então, o governador poderia ir montando esta equipe para estar pronta quando o fluxo de vacinas permitir este desempenho, com capacitação em cada cidade.

Uma boa opção seria pedir que o Governo Federal enviasse um contingente das Forças Armadas para ajudar na vacinação. Na grande epidemia de dengue em 2009 foram os militares, com sua excelência em organização e logística, que resolveram o problema em Itabuna, por exemplo.

O governador da Bahia não fará isso, porque prefere posar de vítima do que ser estadista e não quer perder seu discurso anti-Bolsonaro, em quem tenta jogar a culpa pela pandemia. Rui esquece que no ano passado promoveu o maior carnaval do Brasil, em várias cidades baianas, com o virus já circulando por aqui e alerta de pandemia.

Não estava sozinho, porque ACM Neto foi cúmplice na festa. Mas a liberação dos comícios e passeatas nas eleições para prefeito é exclusivamente responsabilidade de Rui Costa. Não só liberou geral, como participou de passeatas imensas, com todo mundo - incluindo ele - sem máscara. As fotos não mentem.

Se Rui quer se redimir e assumir a responsabilidade de quem foi eleito para cuidar dos baianos, ele deve tomar, de imediato, três medidas. Liberar o tratamento precoce, fazer testagem em massa e contratar vacinadores ou pedir ajuda externa para acelerar a vacinação.

Lágrimas, verdadeiras ou ensaiadas, não resolvem pandemia nem salvam vidas.

Ações sim.

Posted at 12:15 AM


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13/02/21

As cicatrizes de uma pandemia

Uma pesquisa da USP, em 11 países, revela o Brasil como o país que mais tem ansiedade (63%) e depressão (59%) na pandemia. Não podia ser diferente. Brasileiro gosta de grudar, desde pequeno. Já nascemos assim e assim somos o lugar mais acolhedor do planeta.

O europeu que comete o desatino de visitar nosso país não sabe onde está se metendo. Acostumado a relações distantes, sem contato físico, ele é rapidamente atacado e dominado pelo calor dos brasileiros. Não foram poucos os ingleses, franceses ou alemães que vi apavorados em seu primeiro dia por aqui.

O brasileiro gosta de carinho, abraços, beijos, contato, bate papo, encontro com amigos, pizza com a família, praia, bares, estádio cheio, passeio no parque, ajuntamento, calor humano. Para ele tudo isso é essencial, não opcional. É impossível, para nós, encontrar alguém sem abraçar, beijar.

Um desconhecido qualquer, ao se aventurar pelo Brasil, já é recebido com três beijos e muitos abraços, como se fosse um amigo antigo ou como se estivesse voltando para casa. A conversa é com toques no ombro, nos braços, abraços repentinos e carinho ilimitado.

Um inglês, que cresce respeitando o espaço em volta de cada pessoa como área proibida, recebe nosso carinho como um raio, que se espalha e domina tudo até que ele se renda. Até que aceite que sua vida, por aqui, nunca será igual a de seu país. Ele vira um aprendiz de calor humano.

Somos feitos assim. Crescemos assim e nunca imaginamos um dia ser impedidos de ser... brasileiros.

A pandemia fez com que as avós não possam abraçar e beijar os netos. Tios e tias ficaram longe dos sobrinhos. Amigos só podem se encontrar online e, quando se encontram ao vivo, não podem se abraçar, beijar, grudar. Nada podia ser mais deprimente para nós.

É até estranho que a gente esteja sobrevivendo sem tudo isso. Tudo bem, adultos se adaptam e já têm a serenidade, que a idade traz, para esperar pacientemente o dia em que as relações voltarão ao normal. Pior é para as crianças, para mim uma verdadeira tragédia.

Se para nós a situação é deprimente, para elas é impossível. A infância é quando fazemos os primeiros "melhores amigos para sempre", é quando mais abraçamos e beijamos sem medo, é quando formamos nossa tchurma, quando podemos brincar à vontade sem se preocupar com a vida.

Cresci jogando gude na praça, batendo bola na rua, brincando de esconde e de bandeira. A juventude foi de muitos amigos no bar, na boate, no cinema, na Beira-Rio. As festas de aniversário e, principalmente, de Natal, eram com dezenas de primos, amigos e parentes.

Até 2019 eu podia almoçar com os amigos no Los Pampas, reunir outros na pizzaria. Podia abraçar cada um, conversar em grupo, ir ao cinema, tomar café com eles no shopping. Está certo que eu não sou de sair muito, mas uma coisa é não querer sair, outra é não poder.

Faz parte da coisa que mais prezo na vida, a liberdade. Liberdade para falar o que quiser, ter a opinião que quiser, vestir o que quiser, fazer o que quiser... abraçar quem quiser, me aglomerar com quem quiser. Definitivamente esta pandemia nos tirou isso, a liberdade.

Mais, ela nos transformou, na marra, em seres menos calorosos, menos afetuosos. Com menos abraços e beijos, nos tornamos mais ácidos, mais ranzinzas, mais implicantes. Voce pode ver isso nas redes sociais, onde opinião própria virou crime, onde amigos não podem conversar cinco minutos sem discutir.

Esta pandemia vai passar, como tudo na vida. Só não sei quantas cicatrizes deixará.

Posted at 2:05 PM


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04/01/21

A suprema tomada do poder

O STF era um antes da transmissão ao vivo pela tv e é outro depois. O deslumbramento fez com que a maioria dos ministros passasse a atuar para as câmeras. A vaidade fez com que votos que antes seriam dados em 5 minutos hoje levem várias e intermináveis horas.

A junção da vaidade com a arrogância de quem tem poder supremo e vitalício, sem responder a ninguém, levou ao que temos hoje, um STF militante, político, que interfere em outros poderes, muda princípios da Constituição sem passar pelo Congresso, tenta impedir o Executivo de funcionar.

É mais que óbvio o preconceito da maioria dos ministros com o Presidente Jair Bolsonaro que, ao contrário deles, foi eleito pelos brasileiros para conduzir o país. O STF acata todos os pedidos de partidos nanicos de esquerda, inconformados com sua falta de votos.

Hoje, partidos como Psol, PSB, Rede, PT e assemelhados administram o Brasil por controle remoto, usando seus marionetes supremos para desfazer as medidas tomadas por Bolsonaro. Chegam a demitir ministros e servidores que o chefe do Executivo tem total liberdade para nomear, segundo a Constituição.

A Cosntituição? Ora, a Constituição...

O exemplo mais recente de rasgar o texto da lei maior do país, aprovada por uma Assembleia Constituinte eleita pelo povo brasileiro, foi a tentativa de permitir uma segunda reeleição a Rodrigo Maia, mesmo expressamente proibida pela Constituição. Ela não deixa nem margem para interpretação. Só a pressão da imprensa e a indignação do povo evitou.

No combate à Covid, o STF começou podando o direito, também expresso claramente na Constituição, de o Executivo centralizar todas as ações de enfrentamento a pandemias nacionais. Passou por cima da Carta Magna para entregar as decisões aos governadores e o resultado foi o recorde de mortes e casos em São Paulo, por exemplo.

Nesta semana, o STF conseguiu fazer uma pizza de dois sabores, uma excrescência jurídica que atenta contra direitos fundamentais do cidadão listados na Constituição e, ao mesmo tempo, deixa aberta uma condicionante de duvidosa eficácia.

O STF decidiu que a vacina contra a Covid é obrigatória e só isso já deveria inscrever os ministros nos anais do besteirol nacional. Primeiro porque elimina o direito fundamental de escolha do cidadão, o controle sobre sua própria saúde e seus princípios.

Depois porque nenhuma vacina, nem mesmo as de eficiência comprovada há décadas, como a da Polio, é isenta de efeitos colaterais e problemas graves causados a algumas pessoas. Imagine com vacinas aprovadas "nas coxas", em um quinto do tempo normal de testes.

O STF age como se todos tivessem uma saúde com as mesmas características. Eu, por exemplo, nunca peguei uma gripe na minha vida inteira e o Covid é um virus de gripe. Outras pessoas pegam gripe com facilidade. Minha última doença foi caxumba, com uns 8 anos. Outros adoecem com frequência.

Entre os dois polos existem milhões de combinações de imunidade, deficiências, propensão a certas doenças, menos a outras. O STF trata todos como clones que podem receber o mesmo remédio sem nenhuma consequência, mas todo remédio tem efeitos, até um Cebion. Basta ler qualquer bula.

O Presidente Bolsonaro, que fala como nós - brasileiros reais - falamos, fez a pergunta essencial. “Imagina que você pega uma bula e está escrito lá: o fabricante não se responsabiliza por nenhum efeito colateral. Está na bula. Vão obrigar você a tomar a vacina?"

"Se houver um efeito colateral, como parece estar havendo no Reino Unido, choque anafilático, quem vai se responsabilizar? É quem obrigou você a tomar a vacina. Não pode passar por cima da Anvisa”. Mas, como os supremos ditadores não podem ser processados por crime nenhum, ficarão isentos dessa responsabilidade.

Vai restar ao cidadão acionar seu estado na Justiça. Sim, porque o STF fez um armengue dizendo que a vacina é obrigatória, mas ninguém pode ser obrigado a tomar, uma imbecilidade jurídica em si. Porém autorizou estados, municípios e o governo federal a impor sanções e restrições contra quem não se vacinar.

Bolsonaro com certeza absoluta não vai tomar medida nenhuma porque, para o Governo Federal (e para a Constituição), nenhuma vacina pode ser obrigatória. Mas um estado como São Paulo, do DitaDoria, pode, por exemplo, impedir o servidor de receber o salário se não se vacinar. Ou que use o transporte público.

O STF deu, novamente, aos governadores e prefeitos, um poder que eles não possuem legalmente, nem poderiam possuir segundo a Constituição do país. Um poder, diga-se, digno das piores ditaduras. Outra idiotice suprema é obrigar todo mundo a tomar a vacina sabendo que não existe suficiente para toda a população, em nenhum país.

Quando foi que os brasileiros deram aos ministros do STF o poder de mudar a Constituição, de interferir nos outros poderes, de cortar liberdades? Nunca demos. Eles é que se apoderaram dos nossos direitos. Porque são inimputáveis, vitalícios, arrogantes, totalitários e vaidosos.

A culpa, claramente, é da transmissão pela tv...

Posted at 2:18 PM


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24/10/20

Um crime quase impune

Em 2006, contei na Carta ao Leitor como um dos crimes mais bárbaros do sul da Bahia poderia ter passado incólume, sem ser notado por ninguém. Começava assim:

No final de semana passado recebi ligação sobre um jovem que, depois de espancado por Marcos Gomes e seus amigos na Fazenda Redenção, sumiu. Sem saber se era real, passei o caso ao delegado Nelis Araújo, que então começou a investigar a denúncia.

É claro que sabemos mais do que noticiamos aqui, mas é preciso preservar investigações que ainda estão em curso. A Região tem entre seus princípios o de que nenhum "furo" é mais importante que ajudar no trabalho da polícia, por isso esperamos o fim de toda a investigação para noticiar.

Porém, testemunhas nos disseram que viram o filho do prefeito Gomes dar uma surra no jovem, que estava amarrado. Logo depois ele sumiu e seu corpo ainda não foi encontrado. Mas será. Durante a semana ligações nervosas cruzaram a região, políticos entraram no circuito...

Um movimento que mostra o tamanho da bronca que Nelis enfrenta. Neste sábado, publicamos o que não comprometia o trabalho da polícia, porém A Tarde noticiou outros detalhes, que tínhamos desde a terça e preservávamos a pedido da polícia.

Como o jornal de Salvador publicou, também o fazemos aqui na edição online. Porém as muitas outras informações que temos e que ainda não foram divulgadas continuarão preservadas por A Região até que a polícia as libere ou um jornal publique.

Acompanhamos a investigação e confiamos no delegado Nélis Araujo e sua equipe. Mas, se o delegado sucumbir às várias pressões, não tenha dúvida.

Vamos revelar tudo o que nós já apuramos e sabemos. Este foi o primeiro texto sobre o caso, mas vale detalhar um pouco o que foi resumido naquela época.

Quando Nélis começou a investigar, nós, eu e a jornalista Neandra Pina, iniciamos nossa própria apuração dos fatos. Ao longo de um mês, Nélis fez um trabalho fantástico, digno dos melhores detetives do cinema.

Ele descobriu que existia um esquema, envolvendo uma delegada de outra cidade, que encerraria o caso como morte de um indigente.

Nélis percebeu, apurou e descobriu o corpo enterrado ao lado da rodovia entre Floresta Azul e Itapetinga. Descobriu a Saveiro que transportou o corpo e quem ajudou a enterrar.

A burrice de Marcos foi amarrar o vaqueiro com arreios que tinham a marca do Haras Redenção, onde foi torturado, preso por dois dias, e morto. Uma prova irrefutável.

Intimado a depor, Marcos Gomes, valente contra alguém que estava amarrado, desabou na frente dos delegados Nélis, Evy Paternostro e Marlos Macêdo, diante das provas. Tremeu, gaguejou, quase passou mal. Saiu de lá escoltado por seguranças, ao lado do advogado Carlos Burgos, sem falar com a imprensa.

Na exumação do corpo, o azar estava contra Marcos de novo, porque o vaqueiro, que tinha sido espancado até ficar irreconhecível, usava a pulseira dada pela irmã, que desabou ao reconhecer o irmão na massa de carne e sangue.

Mais de 30 testemunhas confirmaram o que foi apurado. Uma cena bizarra aconteceu quando os delegados foram cumprir um mandado de busca na casa de Marcos Gomes.

Ele achou que ia ser preso naquele momento, pulou o muro de trás da mansão e saiu correndo pelo mato.

O caso só foi adiante, sob pressão política dos amigos do então prefeito Fernando, graças à integridade dos delegados e o destemor da juíza de Ibicaraí, Ana Cláudia de Jesus Souza, que emitiu os mandatos.

Na mansão, mais duas surpresas. A polícia encontrou uma carteira falsa de policial, assinada pelo então secretário de Segurança Pública Afrísio Vieira Lima, pai de Geddel.

A outra foi a descoberta de outro crime, furto de água ("gato") de grandes proporções. Com tudo isso, ninguém tinha esperança de ver o homicida preso, pela facilidade em ser "invisível" para a polícia.

Até esta terça-feira.

Posted at 4:17 PM


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13/10/20

Um sonho possível, mas improvável

Batendo papo por email com meu amigo Jáder Tavares, de Salvador, ele lembrou a cabeça pequena que eu sempre critiquei em Itabuna. Mesmo na época de ouro do cacau, quando dava para forrar as ruas com dólares, a cidade pensou pequeno e se manteve provinciana.

Jáder listou algumas providências que, para nós, são óbvias, mas já desisti de acreditar que um dia sejam realidade. Itabuna vai sempre eleger alguém de cabeça pequena (a de cima). Por exemplo, cadê as propostas para a cultura do cacau? Nenhuma. Até parece que não plantamos a base do chocolate, desejo mundial.

Nunca exploramos a rica história de coroneis e desbravadores, como fez Jorge Amado em seus livros. Não temos um Museu do Cacau, uma vila-cenário com personagens vividos por atores (como na Torre de Londres), um festival anual de gastronomia e lazer, um circuito de visitação de fazendas, eventos esportivos temáticos, nada.

"Cadê a proposta de recuperação e pavimentação em concreto das estradas do cacau?" pergunta Jáder. Sério? Os prefeitos sequer passam uma máquina nas estradas vicinais e o governo do estado abandonou a que foi feita para contornar a barragem de Itapé.

Quem produz ou mora na área muitas vezes fica ilhado, seu poder vender a produção em Itabuna ou até chegar na cidade. Pavimentar as estradas vicinais com concreto é mais barato que o asfalto e tem uma durabilidade muito maior. Daria rapidez e mobilidade para quem mora no campo, atrairia produtores e projetos turísticos.

"Cadê a proposta de instalação de torres para telefonia celular e para internet?" Taí uma coisa que poderia revolucionar campo e cidade ao mesmo tempo. Garantir internet e telefonia de qualidade na área rural poderia levar muita gente a mudar para lá.

Já existia a vontade de muitos, que aumentou exponencialmente depois da pandemia. Hoje todo mundo reavalia seus conceitos de moradia, de trabalho e de compras, com tendência de fazer muito mais online, morando em um lugar mais agradável e tranquilo.

"Cadê o endereçamento postal de cada estrada do cacau e das fazendas da área rural?" continua Jáder. É mais uma medida que incentivaria uma migração da cidade para a zona rural. Junte com internet, telefone, estradas pavimentadas e algumas outras medidas e voce teria um verdadeiro êxodo, desinchando as cidades.

Imagine que a zona rural tivesse tudo isso, mais linhas regulares de ônibus, entrega regular de encomendas, energia elétrica estável, rede de água e esgoto. Fatalmente atrairia lojas, escolas e equipamentos de lazer de qualidade, como uma mistura de shopping com hotel fazenda.

Não é difícil imaginar um condomínio só de casas, com terrenos grandes, muita área verde e... cercadas por roças de cacau em plena produção, dentro do mesmo projeto, com laboratório para desenvolver chocolates, cafés com degustação, hortas provendo alimentos orgânicos para os condôminos.

Milhões de pessoas ficariam interessadas em morar no campo se ele tivesse o melhor da civilização sem os problemas decorrentes dela. Atelies de moda, de arquitetura, de arte, poderiam funcionar bem nesse ambiente, como acontece em Embu das Artes, próxima a São Paulo.

Uma migração para o campo teria um excelente efeito colateral, o de desinchar cidades que hoje estão travadas, como Itabuna, onde o trânsito parece o de uma capital, no mau sentido. A cidade geraria menos lixo, ficaria mais limpa, mais agradável, segura e tranquila.

Mesmo sabendo que nada disso vai acontecer, sonhar é de graça e eu precisava pelo menos mostrar a voce que uma alternativa é possível. Antes eram Jáder e eu. Agora somos três sonhando...

Posted at 11:52 PM


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